SISTEMA PLANTIO DIRETO - SPD

Texto: Dr. Luis Carlos Hernani - Embrapa Agropecuaria Oeste

Conceito

Sistema Plantio Direto é a forma de manejo conservacionista que envolve todas as técnicas recomendadas para aumentar a produtividade, conservando ou melhorando continuamente o ambiente. Fundamenta-se na ausência de revolvimento do solo, em sua cobertura permanente e na rotação de culturas. Pressupõe, também, uma mudança na forma de pensar a atividade agropecuária a partir de um contexto sócio-econômico com preocupações ambientais.

Formas alternativas de plantio direto são realizadas em todo o país. Nelas geralmente se utiliza monocultura de verão (soja, em geral), seguida de cultura comercial ou de cobertura do solo (muitas vezes as próprias plantas expontâneas). Essas formas são um avanço se comparados ao sistema convencional, mas estão distante do ideal preconizado para o SPD.

Beneficios
  • - perdas de solo por erosão oito vezes menor que no sistema convencional de preparo do solo;
  • - perdas de Ca, Mg, P, K e matéria orgânica cinco a sete vezes inferior às do sistema convencional;
  • - disponibilidade de água no solo sempre maior que no sistema convencional;
  • - temperatura do solo no mínimo 5 Cº inferior a de um solo preparado;
  • - Após o terceiro ano, a produtividade de soja, milho e trigo tende a ser 17% superior à do sistema de cultivo com preparo de solo;
  • - Produtividade média de soja é superior a 60 sacas/ha (em anos normais) e fica em torno de 45 sc/ha em anos de ocorrência de veranicos (na região de Dourados, MS);
  • - Custos de produção de soja e de milho são inferiores aos do sistema convencional;
  • - Economia de até 72% no consumo de óleo diesel.
  • - Redução de 45% do uso de máquinas e equipamentos com significativa diminuição no custo de manutenção;
  • - Reciclagem de nutrientes e aumento da eficiência no uso de adubos;
  • - Aumento no teor de matéria orgânica e na fertilidade do solo;
  • - Maior diversidade de seres vivos no solo (insetos, minhocas, etc) e no ambiente;
  • - Maior controle de pragas e doenças;
  • - Perdas de água cerca de 4 vezes menor do que no sistema convencional;
  • - Diminuição de poluição e assoreamentos de rios e represas;
  • - Aumento da reposição de lençol freático e manutenção de fontes de água;
  • - Diminuição de sólidos em suspensão gerando menor custo do tratamento de água para consumo humano.
Rotacao de culturas

A rotação de culturas compreende o cultivo planejado, em seqüência cronológica, de diferentes espécies de plantas. Implica na divisão da propriedade rural em talhões e na diversificação de atividades. Significa a possibilidade de ter-se, em uma mesma safra, pelo menos duas culturas diferentes no campo e na exigência de um período mínimo para retorno da mesma cultura a um dado talhão/local.

Devido aos seus efeitos sobre a qualidade ambiental, especialmente ao solo e à água, na diminuição da utilização de insumos agrícolas e de custos de produção, esta prática é a base sobre a qual se fundamenta o Sistema Plantio Direto – SPD. Através da rotação de culturas o SPD tem sua adoção e continuidade viabilizadas.

Com a implantação de uma seqüência organizada de espécies vegetais, espera-se minimizar a infestação de pragas, plantas daninhas ou doenças, bem como os custos para seu controle, e maximizar receitas, diminuindo prejuízos decorrentes do monocultivo. Com a rotação é possível quebrar o ciclo de várias pragas e doenças, diminuindo assim os riscos de incidência desses organismos e conseqüentes danos às culturas.

A diversificação de plantas com diferentes sistemas radiculares, capazes de explorar diferentes profundidades solo, com absorção e capacidade de reciclagem de elementos diversificadas, proporciona melhor equilíbrio dos nutrientes e incremento na qualidade e na atividade biológica do solo.

A rotação permite, ainda, que através da reciclagem os resíduos de determinado cultivo que permanecem no solo beneficiem o desenvolvimento e o rendimento de cultivos posteriores, como exemplo: aveia e milheto antes da soja; ervilhaca, nabo forrageiro ou mesmo a própria soja antes do milho; etc.

Cobertura permanente do solo

Como Cobertura Permanente do Solo entende-se o processo de cobrir o solo cultivando-se plantas preferencialmente comerciais ou, na ausência destas, culturas alternativas que promovam o desenvolvimento de sistemas radiculares abundantes e agressivos e a produção de biomassa. Essa biomassa, após manejo adequado, se constituirá na cobertura morta ou no manto de resíduos vegetais denominado “palha ou palhada”. Portanto, cobertura permanente não significativa simplesmente cultivar para produzir palha, mas cultivar o solo com plantas vivas (comerciais preferencialmente) que processem a construção ou a melhoria do estado físico, químico e biológico do solo, protegendo contra a chuva ou a radiação solar e impedindo a emergência de plantas daninhas e evaporação da água.

Integracao agricultura-pecuaria

Um dos sistemas de produção que podem ser conduzidos em Plantio Direto é conjugação da lavoura com a pecuária. Desde que haja condições prévias para isto pode-se, sem revolvimento do solo, realizar a integração agricultura-pecuária, beneficiando a ambas as atividades. A palha que a pastagem bem manejada proporciona ao sistema pode viabilizar o cultivo de lavouras em Plantio Direto em regiões onde o cultivo de espécies anuais para a formação da palha é difícil. A pastagem proporciona um sistema radicular abundante, que melhora a estrutura do solo, e grande quantidade de resíduo de material orgânico que é mantido sobre a superfície. Estes, além dos efeitos na proteção do solo contra as intempéries (diminui o impacto das gotas da chuva e a incidência da radiação solar), se transformarão, com o processo de decomposição, em matéria orgânica do solo. Por sua vez, uma lavoura, principalmente de leguminosas, tem condições de incorporar ao solo o nitrogênio existente no ar, beneficiando, com isso, as pastagens subseqüentes.